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NO DIA DA VISIBILIDADE TRANS, ASSOJAF-15 CONTA A HISTÓRIA DA CONSELHEIRA FISCAL FER DE LIMA VARGAS
Autora do livro Uma transição poética: As mensagens nunca lidas deixadas por uma criança TRANS, a Oficiala de Justiça assumiu publicamente sua identidade trans em 2025.
Celebrado nesta quinta-feira, 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans é um convite à reflexão sobre respeito, dignidade e reconhecimento das pessoas trans em todos os espaços da sociedade. No âmbito do Judiciário, a data ganha ainda mais significado com a trajetória da Fer de Lima Vargas, conselheira fiscal da Assojaf-15 e autora do livro Uma transição poética: As mensagens nunca lidas deixadas por uma criança TRANS.
A obra marcou, no ano passado, o momento em que Fer assumiu publicamente sua identidade trans, tornando visível uma história que, por décadas, permaneceu silenciada — inclusive dentro do próprio Poder Judiciário. Antes da transição, quando ainda se apresentava como Fernando, ela relata as dificuldades de viver a identidade no exercício da função.
Um dos pontos mais sensíveis do cotidiano profissional, segundo Fer, era a necessidade de se identificar com o nome que constava na funcional, que não correspondia à imagem e à forma como se reconhecia. “Quando eu falava um nome que não correspondia à minha própria imagem, minha credibilidade caía. As pessoas desconfiavam. E isso me colocava até em certo risco durante as diligências”, conta.
A contradição entre nome, aparência e identidade não apenas afetava sua autoestima, como também impactava diretamente a segurança no cumprimento dos mandados, evidenciando como a falta de reconhecimento institucional pode gerar situações de vulnerabilidade para Oficiais e Oficialas de Justiça trans.
Uma transição poética conta a história real de uma criança com disforia de gênero que, sozinha em suas angústias, escreve poesias e as esconde por anos em uma gaveta. Quase 30 anos depois, já adulta, casada e com filhos, Fer relê aqueles versos e percebe que continua sendo aquela criança solitária, silenciada e invisibilizada.
A partir dessa releitura, inicia um processo libertador de desconstrução e renascimento, no qual ela decide arrancar as máscaras que a oprimiam e se permitir existir plenamente. O livro narra, com delicadeza e força, a dor de uma criança que nasceu com incongruência de gênero e viveu imersa em lágrimas, enquanto aparentava ser um menino feliz.
Mais do que uma obra literária, o livro é um emocionante alerta a pais e mães, para que olhem seus filhos e filhas com empatia, sensibilidade e com os “olhos puros da alma”, deixando de lado preconceitos que ainda destroem violentamente tantas infâncias.
“É tão bom poder ser quem a gente é. E se eu puder ajudar pessoas a saírem desse casulo, eu já estou feliz”, resume Fer ao falar sobre o propósito da obra, que busca sensibilizar leitoras e leitores, especialmente no cuidado com as crianças.
Visibilidade, representação e compromisso coletivo
Como conselheira fiscal da Assojaf-15, Fer também representa a importância da presença de pessoas trans nos espaços associativos e de representação da categoria, fortalecendo o debate sobre diversidade, respeito e condições dignas de trabalho no Judiciário.
Ao marcar o Dia da Visibilidade Trans, a Assojaf-15 reafirma o compromisso com a defesa dos direitos humanos, da inclusão e do respeito às identidades, chamando a atenção para as barreiras que ainda persistem no Judiciário e para a necessidade de políticas institucionais que garantam segurança, reconhecimento e dignidade a todas e todos os Oficiais de Justiça.
O livro Uma transição poética: As mensagens nunca lidas deixadas por uma criança TRANS pode ser adquirido em https://aferlima.lojavirtualnuvem.com.br/
Mais informações também estão disponíveis no Instagram @umatransicaopoetica.
Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo